Governo: Geraldo Melo x Rosalba, quem será o pior?

Nunca antes na história político-administrativa do Rio Grande do Norte, um governante viveu um início de gestão tão confuso, sem rumo e gerando enorme desapontamento. Essa é uma síntese dos primeiros meses do governo Rosalba Ciarlini e Robinson Faria.

O comum, diante de um cenário tão castastrófico, é que ocorra comparação com algum antecessor é  o caso do ex-governador Geraldo Melo, que administrou o Estado de 1987-1990.

Existem algumas semelhanças, mas várias discrepâncias no encontro histórico entre os dois.

Rosalba, como Geraldo, chegou à Governadoria envolta em grande expectativa e crédito de confiança, movida por montanha de votos construídos numa retórica emocional e nenhum projeto concreto. Só blablabá.

Em relação à governadora, a conjuntura nacional e estadual é bem diferente da encontrada por Geraldo Melo no início de gestão em 1987. Ela, apesar de adversária do governo central, presidente Dilma Roussef (PT), não sofre nenhum tipo de boicote e chegou a receber visita de mais de oito ministros

Geraldo Melo, à ocasião, enfrentou o desmanche do “Plano Cruzado”, plataforma principal do seu discurso de campanha. O presidente José Sarney, que o apoiava, conseguiu eleger 22 dos 23 governadores, a grande maioria dos senadores e deputados federais/estaduais.

Foi uma avalanche baseada no ufanismo desse programa econômico, que logo após as eleições foi enterrado pelo próprio Sarney.

Hoje existe a estabilidade da moeda, o país em franco desenvolvimento econômico e controle inflacionário. Com Geraldo Melo era tudo inverso. Greves, especialmente na educação, passaram a fazer parte do cotidiano do RN a partir de 1988. Desde então o governo foi-se arrastando até o final.

Ele sequer conseguiu fazer o sucessor. À ocasião, não existia o instituto da reeleição para governador e outros cargos executivos.

Rosalba desembarcou na Governadoria utilizando um velho e surrado discurso de “Herança Maldita”, para começar a ganhar tempo. Só que sua estratégia foi rapidamente descontruída e hoje ela enfrenta uma onda de greves, a administração praticamente paralisada e nenhuma ação visível de governo.

A crise que a governadora enfrenta, parece ser muito mais de mentalidade e método do que financeiro-administrativa. Revela traços de intolerância, arrogância e autosuficiência, além de frieza em relação a questões cruciais do serviço público.

Com Geraldo Melo, a “metástase” começou depois do primeiro ano de governo. Da mesma forma que fora beneficiado com fatores exôgenos (externos) à eleição, passou a pagar o preço pelo fim do Plano Cruzado. Em alguns momentos, ele partiu pra litigância e bateu frontalmente com categorias de servidores que na campanha tinham lhe dado apoio decisivo.

Se com Rosalba o slogan de campanha era “Para Fazer Acontecer”, em relação a Geraldo Melo um eficiente conjunto de marketing eleitoral prometia “Novos Ventos, Novos Tempos” no Rio Grande do Norte. Levaria o povo ao desenvolvimento social e crescimento econômico. Nem uma coisa nem outra.

Populismo

Um traço comum à Rosalba e a Geraldo Melo é o discurso populista, ufanista e carregado de retória. Mas nesse ingrediente, ela perde de forma acachapante. O “Tamborete” (apelido ganho em campanha) era o rei da retórica. Prendia multidões diante do palanque.

Também conta a favor de Geraldo Melo, uma reconhecida inteligência diferenciada. Qualquer dúvida é só comparar sua passagem pelo Senado, com a presença da “Rosa”. Ele chegou à vice-presidência da Casa, com importantes intervenções e forte influência. Rosalba quase não foi notada.

Geraldo Melo construiu sua chegada ao Governo do Estado sob um bem-arquitetato plenajamento. Já fora vice-governador de Lavoisier Maia e coordenou a campanha vitoriosa do deputado estadual Garibaldi Filho (PMDB) à Prefeitura do Natal em 1985.

Entrou na campanha como azarão. A previsão do grupo Maia, que apoiava o deputado federal João Faustino ao governo, era de que seu candidato venceria com mais de 200 mil votos de vantagem. Com desempenho impressionante, Geraldo atingiu a vitória com pouco mais de 14 mil votos de dianteira.

Fenômeno?

O ex-vice-governador foi parte de um fenômeno nacional e não um caso específico, da conjuntura estadual. O Plano Cruzado iançou-o até um certo patamar. A partir daí, ele e seu partido (PMDB) fizeram o restante.

Com Rosalba, a conquista começou bem antes, ainda em 2006, ao vencer Fernando Bezerra ao Senado, numa corrida muito disputada, com pouco mais de 11 mil votos de maioria. Desde então, a engenharia politica foi desenhando sua chegada à Governadoria, enfrentando adversários debilitados até fisicamente.

O que parece deixar Rosalba e Geraldo à semelhança um do outro, é que nenhum se preparou para governar. O projeto elementar era de poder. Geraldo ainda se elegeu ao Senado uma vez, mas perdeu até a hegemonia em Ceará-mirim, sua base política.

Greve na Educação:

Com Geraldo Melo no governo os professores fizeram uma greve que durou 79 dias, foi a maior paralisação já registrado no estado do RN. Rosalba, já enfrenta 74 dias de greve dos educadores e mesmo a justiça julgando ilegal a paralisação, a categoria decidiu por continuar o movimento, assim, pode superar o recorde negativo do Geraldo Melo.

Rosalba, com a erosão de imagem que enfrenta, deve olhar bem para Geraldo e ter cuidado com o “Efeito Orloff” (eu sou você amanhã).

Fonte: Coluna Herzog (Alterações por João Maria de Oliveira)

Comentários

  1. E verdade professor João Maria quem será o pior o tempo dirá, Geraldo já passou Rosalba ainda esta, se não dar para avaliar o seu govreno em quase 7 meses ´porém já é tempo de mostra a cara do seu governo, qual rumo esta tomando, não sabemos não vimos e não ouvimos, porém o tempo anda felismente a favor dela pela sua saida rapida e infelizmente contra o povo que em troca não recebe beneficios de qualquer natureza.

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