Quando a arrogância venceu a democracia...

A Constituição Federal de 1988 estabeleceu a democracia como sendo o sistema a ser seguido pelo Brasil em todo o seu território nacional, mas na prática não é bem assim.

Muitos daqueles que se dizem democráticos e defensores da democracia negam os postulados que dizem defender.

Na realidade o que se percebe em muitos casos é que a prática difundida no plano teórico encontra-se divorciada da realidade. A teoria é para outros, podendo ser relegada a um segundo plano.

Tomamos como exemplo a última greve na rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte.

A arrogância e prepotência com que o governo tratou a causa dos professores jogaram por terra, qualquer princípio democrático, de diálogo ou de direito.

Mesmo com a Lei de piso sendo ratificado pelo STF, o governo ignorou as reivindicações dos educadores e depois de dois meses de “jogo duro” acionou a justiça pedindo a ilegalidade do movimento.

Sobre os princípios jurídicos não temos competências para discutirmos, mas o que pode ser colocado em pauta é a postura do governo diante de uma categoria que anos a fio vem sendo massacrada.

Neste período de greve força dos detentores do poder sobre os profissionais da educação foi adotada desde o governo, passando pelas diretorias regionais (DIREDs) e até mesmo a alguns diretores de escola.

No caso de Nova Cruz, teve diretor que ligou diretamente para casa de professor para fazer pressão sobre sua volta a sala de aula e chegando a recolher assinaturas daqueles que se deixaram coagirem e ‘”acuados” assumiram o compromisso de voltar a ministrar as aulas mesmo antes da categoria definir o fim do movimento. Um verdadeiro "tiro no pé" já que atualmente o gestor é eleito pela comunidade escolar.

Como se não bastasse, na última terça-feira(19) a diretoria da 3ª DIRED colocou nas ruas da cidade um carro de som comunicando a população que os professores teriam que retornar a sala de aula por força de justiça e convocando os pais para mandarem seus filhos para as escolas. Mais uma vez antecipando-se, inclusive, a uma audiência entre governo e professores que aconteceria no dia seguinte.

Mesmos depois de tudo isso,  é preciso que os princípios estabelecidos na Constituição Federal não sejam apenas uma ficção, mas que na forma da lei, excetuados os casos expressos, alcancem tanto os agentes da administração como aqueles que são os responsáveis pela execução das funções do Estado.

O movimento terminou em respeito a uma determinação judicial que deve ser obedecida, em contra partida o governo e seus seguidores deixaram bem claro com que garras serão tratados os servidores ao longo desses duradouros 4 anos de Rosalba/Robinson.

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